Chapada Diamantina

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quinta-feira, 10 de setembro de 2009

A transformação da paisagem no município de São José da Laje

A ação humana tende a transformar o meio natural em meio geográfico, isto é, em meio moldado pela intervenção do homem no decurso da história (DOLLFUS, 1991, Pg. 29).
Ha alguns anos a nossa querida São José da Laje, foi atingida por uma forte tromba d’agua que caiu na cabeceira do Rio Canhoto e causou uma grande catástrofe na vida de muitos habitantes lajenses que perderam não só seus bens materiais mas, o que mais tinham de importante em suas vidas que eram seus entes queridos. A Paisagem cultural da cidade foi bastante modificada pela fúria das águas que a assolaram naquela madrugada de 14 de Março de 1969. Logo após os cálculos dos estragos causados pela enchente deu-se início aos trabalhos de recuperação da cidade. A natureza mais uma vez transformou a paisagem com sua força natural e o homem com sua inteligência também modificou o meio em que vive reconstruindo casas e restaurando ruas. Segundo Dollfus, (1991, pg.11)Toda paisagem que reflete uma porção do espaço ostenta as marcas de um passado mais ou menos remoto, apagando ou modificando de maneira desigual mas sempre presente.

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Fonte: You tube

segunda-feira, 6 de julho de 2009

A urbanização e industrialização brasileira

A Revolução Industrial provocou profundas transformações nas cidades, que se expandiram muito. Daí podermos afirmar que, desde o final do século XVIII, industrialização e urbanização cami­nharam sempre juntas. Em primeiro lugar, por­que a industrialização moderna se concentra no espaço urbano. Segundo, porque foi a partir da Revolução Industrial que se desenvolveu um enorme processo de urbanização de toda a so­ciedade humana.
A grande concentração de pessoas nas cida­des deve-se a vários fatores. De um lado, as pri­meiras máquinas exigiam grande número de tra­balhadores que morassem perto das fábricas; de outro, a comercialização dos bens industriais exi­gia estabelecimentos comerciais, que são próprios do meio urbano. Além disso, a infra-estrutura criada para atender às necessidades e aos interes­ses de determinadas fábricas — como, por exem­plo, a abertura de ruas e estradas, a instalação de água encanada, o estabelecimento de meios de comunicação, o fornecimento de energia, etc. — atraiu novas indústrias, o que fez aumentar a concentração de pessoas nas cidades.
Quando muitas pessoas se concentram nu­ma área, surgem inúmeras atividades para pres­tar serviços a essa população: escolas, bancos, lo­jas, hospitais, companhias de seguros, escritórios de contabilidade, de advocacia, etc. E tudo isso atrai mais gente ainda para a cidade.
Ao mesmo tempo que o espaço urbano cres­cia com a industrialização, o campo também so­fria importantes mudanças: novas técnicas foram introduzidas na agropecuária, o que aumentou consideravelmente a produtividade. A mecaniza­ção da agricultura diminuiu a necessidade de mão-de-obra no campo, enquanto crescia a ne­cessidade de trabalhadores nas fábricas e nos ser­viços urbanos. Isso fez os moradores do campo se deslocarem para as cidades — o que ficou conhe­cido como migrações rural-urbanas.
Assim, a população urbana passou a crescer bem mais do que a população rural, o que caracteriza o processo de urbanização. Este processo se diferencia do simples crescimento urbano, que diz respeito apenas ao crescimento das cidades. Para haver urbanização é preciso que a população urba¬na aumente em relação à população total do país.
Quando a atividade industrial passa a co¬mandar a economia de um país, este se torna um país urbano. Portanto, a industrialização de um país é sempre seguida da urbanização, ou seja, há uma diminuição da população rural em relação à população urbana.

Com a indústria, o Brasil se urbaniza
Embora a lavoura cafeeira tenha contribuído para a formação de pequenas e médias cidades, o processo de urbanização do país só se iniciou no século XX com a industrialização.
A indústria atraiu um grande número de pessoas que migraram do campo para a cidade, o que deu início à urbanização. Só então a po­pulação das cidades passou a crescer mais do que a população rural do país. Trata-se, portan­to, de uma urbanização recente. Apenas em 1970 a população urbana brasileira, que corres­pondia a 56% do total, ultrapassou pela primei­ra vez a população rural (44%). Em 1980, ela já correspondia a 67% e, em 2000, a 81,2%.
A industrialização tardia trouxe consequên­cias importantes para a urbanização do país. As fábricas instaladas nas cidades que se industriali­zaram não conseguiram absorver grande parte da população expulsa do campo. Assim, cresceu muito a fração do setor terciário que abriga o su­bemprego (comércio ambulante, emprego domés­tico, etc.) e que utiliza muita mão-de-obra. Este setor terciário não qualificado caracteriza a maio­ria das cidades brasileiras.


O crescimento urbano no Brasil
A colonização do Brasil pêlos portugueses iniciou-se no século XVI com a plantação de ca-na-de-açúcar. Embora o cultivo da cana e sua transformação em açúcar se realizassem no cam­po, a comercialização desse produto levou ao de­senvolvimento de atividades urbanas — comér­cio, empréstimos bancários, transportes marí­timos. Com isso surgiram as primeiras cidades brasileiras ao longo do litoral, principalmente no Nordeste.
Nessas cidades, que eram os centros de co­mercialização do açúcar, instalaram-se represen­tantes do governo da metrópole portuguesa para exercer o controle das atividades da colónia. Logo que chegou, em 1549, o primeiro governador-geral, Tomé de Sousa, fundou Salvador, que pas­sou a ser a capital, sede da organização política, ju­rídica e administrativa da colónia. Recife e Olinda eram as duas outras cidades importantes na época.
Durante todo o período em que a economia brasileira dependeu da monocultura canavieira, a maior parte da população vivia no campo. O cultivo da cana e a fabricação do açúcar eram fei­tos pelo trabalho escravo nos próprios engenhos (as fazendas canavieiras). Nos engenhos havia algumas lavouras de subsistência, criava-se gado para alimentar a população e desenvolvia-se arte­sanato para prover as demais necessidades das pessoas. Os senhores de engenho também viviam no campo e recorriam ao comércio europeu para obter produtos mais sofisticados para seu consu­mo pessoal e o de sua família. Por isso, nessa época não chegou a se estabelecer efetivamente uma sólida divisão territorial do trabalho entre o campo e a cidade. Do ponto de vista económico, as cidades limitavam-se a ser um elo com o mer­cado europeu. Nenhuma se tornou um importan­te mercado consumidor, pois o escravo não pos­sui liberdade nem salário para adquirir merca­dorias.
Portanto, a lavoura canavieira permitiu ape­nas um pequeno crescimento urbano, definindo uma característica que se tornou marcante no Bra­sil durante cerca de dois séculos: a existência de uma frágil vida urbana, constituída por algumas poucas grandes cidades, localizadas no litoral.
Apenas no começo do século XVIII, quando a mineração deslocou o eixo da economia brasi­leira do litoral para o interior, é que surgiram vá­rias cidades pequenas, além de cidades médias, nos lugares em que os recursos minerais (ouro e pedras preciosas) eram encontrados.
A mineração favoreceu uma divisão terri­torial do trabalho entre o campo e a cidade e, gra-dativamente, entre várias cidades. Isso porque aqueles que extraíam o ouro não tinham nenhum interesse em se ocupar da plantação de géneros alimentícios.
Assim, pela primeira vez estabeleceram-se intensas relações comerciais entre o nordeste açu­careiro, o centro minerador e o sul pecuário da co­lónia. Dessa forma surgiram cidades como Cuia­bá, Barbacena, Ouro Preto (antiga Vila Rica), Sabará, São João del-Rei, Mariana, Cáceres, Goiás (antiga Vila Boa) e outras. O Rio de Janeiro, onde se localizava o grande porto exportador de ouro, tornou-se capital da colónia em 1763, o que ex­plica por que não tardou a transformar-se numa grande cidade.
Apesar de a mineração ter propiciado um crescimento urbano considerável, várias das cida­des criadas na região das minas entraram em cri­se quando as riquezas minerais se esgotaram. Portanto, continuou predominando no Brasil uma vida urbana com poucas cidades grandes.
A partir da primeira metade do século XIX, a lavoura cafeeira ocasionou um crescimento signi­ficativo de pequenas e médias cidades. A lavoura cafeeira teve características itinerantes, ou seja, o cultivo do café com o emprego de técnicas rudi­mentares foi esgotando os solos onde era realiza­do e se estendendo para outras áreas. Isso explica o surgimento de muitas cidades, primeiro no eixo Rio de Janeiro-São Paulo, depois avançando por todo o interior do estado de São Paulo e atingindo o norte do Paraná. Um grande número de cidades cresceu ao longo das ferrovias construídas para transportar o café.
Entretanto, os capitais provenientes da ex­portação do café concentraram-se em duas gran­des cidades: primeiro no Rio de Janeiro, que pos­suía 272 972 habitantes em1872 (enquanto São Paulo possuía apenas 31 385 habitantes), e depois em São Paulo, que em 1900 já possuía 239 820 habitantes. Na verdade, a lavoura ca­feeira trouxe mais benefícios à cidade de São Pau­lo, particularmente a partir do momento em que a exportação de café passou a ser feita pelo porto de Santos.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Introdução a Geografia


Território, paisagem, lugar, espaço geográfico
Como as demais áreas do conhecimento, a Geografia também se apoia em categorias de aná­lise essenciais e em conceitos fundamentais. Sociedade, trabalho e natureza são categorias transcendentes mas importantes à nossa disciplina, visto que é da interação dessas três esferas da rea­lidade que resultam as categorias específicas da Geografia. Entre estas, destacam-se território, pai­sagem e lugar, como integrantes da categoria maior, objeto central do nosso estudo - o espaço geográfico. Como categoria geográfica mais abrangente, o espaço é um sistema de objetos e, portanto, um ter­ritório, visualmente perceptível através de paisa­gens, ao qual se acresce e com o qual interage um sistema de relações sociais, que imprime um dina­mismo a todo o conjunto.
As relações sociais se operam através de objetos, com os quais assumem materialidade e se expres­sam no espaço. Assim, determinam as formas e os conteúdos dos objetos do território e das paisagens. São as relações sociais que conferem significado às paisagens, tornando-as lugares. Portanto, o es­paço geográfico é território e é lugar, cuja percepção visual é a paisagem. O espaço geográfico é uma totalidade dinâmica, em permanente mutação, determinada pelas interações entre sociedade e natureza, mediada pelo tra­balho social. Contém um território onde cada con­junto de objetos apreendido pela nossa vista forma uma paisagem, que por sua vez constitui lugar para as pessoas a ela vinculadas afetivamente.
Temos consciência de que, no ensino funda­mental, não é adequado falar em "categorias de análise" e muito menos exigir dos educandos a memorização de definições prontas e acabadas sobre elas. Entendemos que a tarefa do professor é auxiliar os alunos a se aproximarem, gradualmen­te, de conceitos e categorias importantes para com­preender a realidade do ponto de vista geográfico. Sucessivas aproximações devem ser feitas por meio de propostas diversificadas de trabalho, cria­tivas e apoiadas em diferentes recursos, para que os alunos construam generalizações e compreen­dam certos princípios. Daí a preocupação da cole-ção em criar seções com linguagens variadas que possam dar suporte a um trabalho pedagógico de construção de uma base conceituai por parte dos alunos.Por último, consideramos importante incluir neste manual uma síntese de algumas das catego­rias mencionadas anteriormente. A ideia é que você reflita sobre elas para embasar melhor suas inter­venções pedagógicas e para compreender as pro­postas da coleção.

Território
[...] compreender o que é território implica também compreender a complexidade da convivência em um mesmo espaço, nem sempre harmónica, da diversidade de tendências, ideias, crenças, sistemas de pensamento e tradições de diferentes povos e etnias. [...] A categoria território possui uma relação bastante estreita com a de paisagem. Pode até mesmo ser considerada como o conjunto de paisagens contido pêlos limites políticos e ad­ministrativos de uma cidade, estado ou país. É algo criado pêlos homens, é uma instituição.
Paisagem
É definida como sendo uma unidade visível, que possui uma identidade visual, caracteri­zada por fatores de ordem social, cultural e natural, contendo espaços e tempos distintos; o passado e o presente. A paisagem é o velho no novo e o novo no velho! Assim, por exemplo, quando se fala da paisagem de uma cidade, dela fazem parte seu relevo, a orientação dos rios e córregos da região, sobre os quais se implantaram suas vias expressas, o conjunto de construções humanas, a distribuição da população que nela vive, o registro das tensões, sucessos e fracassos da história dos indivíduos e grupos que nela se encontram. É nela que estão expressas as marcas da história de uma sociedade, fazendo, assim, da paisagem uma soma de tempos desiguais, uma combinação de espaços geográ­ficos.

Lugar
[...] a categoria lugar traduz os espaços com os quais as pessoas têm vínculos mais afe-tivos e subjetivos que racionais e objetivos: uma praça, onde se brinca desde menino, a ja­nela de onde se vê a rua, o alto de uma colina, de onde se avista a cidade. O lugar é on­de estão as referências pessoais e o sistema de valores que direcionam as diferentes formas de perceber e constituir a paisagem e o espaço geográfico.

Espaço geográfico
O espaço geográfico é historicamente produzido pelo homem enquanto organiza econó­mica e socialmente sua sociedade. A percepção espacial de cada indivíduo ou sociedade é também marcada por laços afetivos e referências socioculturais. Nessa perspectiva, a histori­cidade enfoca o homem como sujeito construtor do espaço geográfico, um homem social e cultura , situado para além e através da perspectiva económica e política, que imprime seus valores no processo de construção de seu espaço.
Extraído de Parâmetros Curriculares Nacionais: História e Geografia - Brasília, MEC/SEF, í 997. p. 74-6.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Deslocamento do centro comercial/administrativo de São José da Laje


São José da Laje, no decorrer da sua história passou por diversas transformações em seu espaço urbano. Em meio as mais variadas modificações na paisagem urbana lajense, existe uma que merece atenção especial, o deslocamento do centro comercial / administrativo.
A cidade de São José da Laje se originou do povoado conhecido como Laje do Canhoto (localizado as margens do Rio Canhoto). Esta cidade, também intitulada como “a princesa das fronteiras”, traz em seu percurso histórico acontecimentos que realmente marcaram a vida do seu povo.
Em 14 de março de 1969, uma catástrofe assola a pequena cidade ribeirinha, um volume muito grande d’água que seguiu o curso do Rio Canhoto, desde o estado de Pernambuco até atingir a Laje, surpreendendo os moradores. Segundo o documentário “São José da Laje: sua história, suas glórias”, conseqüentemente, acabou por ceifar serca de 1600 vidas e por destruir exatamente vinte e sete ruas. Essa enchente viria a mudar bruscamente não apenas a vida da sociedade lajense, mas também a paisagem e o espaço urbano da cidade, uma vez que se fizeram necessário diversas mudanças. A mudança mais notória, é o deslocamento do centro comercial / administrativo da parte baixa, às margens do rio na atual Rua São José, para a parte alta da cidade.

Concentração escolar em frente à velha Prefeitura, na Rua do Comercio, no dia 7 de setembro de 1946, em São José da Laje
Fonte: PONTES, Fernando Galvão.Memória da Laje. Vol. II. Maceió: Universal, 1989,p. 35.


A administração pública municipal, juntamente com o poder público estadual passaram a estudar a área mais propícia para o estabelecimento do novo centro. Essa área não poderia ser simplesmente qualquer área, pois se pretendia localizá-lo em um terreno que trouxesse segurança aos comerciantes e toda a sociedade. Como método de precaução transferiu o então centro comercial para a parte alta da cidade.


Fotos: Sandra Viviane

Vale ressaltar que a escolha da localidade teve como fundamento pesquisas elaboradas por técnicos da engenharia estadual. Não poderia mais ficar exposto a possibilidade da ocorrência de outro fenômeno natural que o viesse destruir. Entretanto, entendeu-se a área como a mais propícia para instalação do novo centro.
Na época da transição, foi construído em caráter de emergência, no novo centro, o Grupo Escolar Presidente Médici (atualmente a Escola Municipal de Ensino fundamental Benício Barbosa) para prestar serviços educacionais e recreativos para a população em idade letiva. Hoje, além dessa escola se encontra a Prefeitura Municipal o Banco do Brasil o Centro Educacional Maria de Lourdes Rocha e vários prédios comerciais, alem de muitas residências.